Objectivo do Blog

Sou mãe de uma menina que nasceu em Dezembro de 2009, o meu maior tesouro!
A minha filha apresenta comportamentos um pouco diferentes do comum para a idade, compatíveis com a Perturbação do Espectro Autista.

Este blog tem como objectivo a troca de informações com pais que estejam em situação semelhante.
Juntos encontraremos mais respostas pras nossas dúvidas e poderemos obter uma ideia melhor da evolução esperada para cada caso. Participem!

12 de março de 2012

Apresentação

Sou uma mãe de primeira viagem, a gravidez correu sem percalços, o parto correu bem e o meu pós-parto melhor ainda, o mais difícil foram as cólicas da minha filha, isso foi terrível e é a pior recordação que tenho, ela chorava dia e noite e só começou a melhorar aos 4 meses. Foi muito desgastante... nem gosto de lembrar...
A evolução dela a nível físico tem sido boa, é uma menina grande, desde os 6 meses que está nos percentis máximos, o cefálico até rebentou a escala, é bem abonada como o pai!!!
É uma criança que come muito bem, só não gosta de alimentos em consistência pastosa,  e até agora tem sido saudável.
Antes de entrar para a creche esteve com o avós maternos e a única coisa que eu reparava era que ela ficava de vez em quando com um olhar ausente, como se estivesse no mundo da lua, mas não dei importância porque o meu marido também tem esses "paranços" quando está mais pensativo...
De resto... e sendo eu uma mãe estreante, tudo me parecia normal.
Quando ela entrou para a creche, aos 20 meses é que comecei a ficar com o coração nas mãos...
Algumas semanas após entrar prá escolinha a educadora (a quem estou muito grata) disse-me que estava um pouco preocupada com o facto da minha filha não reagir quando a chamavam e perguntou-me se alguma vez ela tinha feito um teste auditivo...
À medida que o tempo foi passando foi-me falando de outras coisas que a estavam a preocupar e eu também me fui apercebendo, por comparação com os coleguinhas de turma, que realmente ela tinha comportamentos um pouco invulgares, nomeadamente:
- isolava-se dos amiguinhos
- se eles invadiam o espaço dela era agressiva (ferrava, batia, dava cabeçadas)
- não dava, nem gostava de beijos/abraços
- não se interessava por nenhuma atividade
- não se interessava por comunicar
Nessa altura, recorrendo à internet , apercebi-me que os "sinais" que ela mostrava se enquadravam demasiado nas Perturbações do Espectro Autista e falei da minha suspeita com a educadora.
Entretanto falei com a minha médica de família (que também é excelente) e ela quis, em primeiro lugar, descartar a possibilidade dos olhares ausentes serem epilepsia de ausência. Foi feito um electroencefalograma que não acusou nada anormal e fomos a uma consulta de neurologia no H.S.João.
A neurologista, depois de muitas perguntas, confirmou que aquele olhar ausente realmente não era o típico da epilepsia, e que SIM não tinha grandes dúvidas que se tratava de uma Perturbação do Espectro Autista...encaminhou-nos para Pedopsiquiatria.
Fomos a essa consulta a faltarem 8 dias para a minha filha fazer 29 meses e a Pedopsiquiatra confirmou as suspeitas:
Esta foi a informação clínica que trouxe para a creche e médica de família:
"A menina T. apresenta um quatro compatível com Perturbação do Espectro Autista com marcadas dificuldades na comunicação e interação social e interesses restritos. Necessita de apoio estruturado, precoce e intensivo do Ensino Especial, associado a terapia da fala, terapia ocupacional e apoio  psicológico para estimulação global. Agradecia a colaboração na orientação para as terapias e apoios, sendo importante a articulação entre os técnicos. Aguarda RM, ORL e estudo genético. É essencial o suporte afetivo, uso de imagem e temas que a motivem, evitando o isolamento e alteração brusca de rotinas."














9 comentários:

  1. Pois, mas segundo me parece o diagnóstico só é possível a partir dos 36 meses!!! Não se terá precipitado esse médico??? Até essa idade a criança faz muitas aquisições e há diferentes timings para cada caso: há uns que falam cedo e caminham tarde, outros pouco falam e têm excelente coordenação motora, outros não se interessam pelos outros meninos, etc, etc... Tenho também uma filha com pouco mais dessa idade e quando vi realmente uma evolução fantástica foi só agora recentemente.
    É preciso dar tempo ao tempo e os médicos tamb+em se enganam!!!

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  2. Olá anónima/o compreendo a sua admiração mas não acho que a médica se tenha precipitado. É certo que a minha filha era novinha, na altura só tinha 29 meses, mas como a médica viu tantos indicadores de que se trataria duma PEA e achou imperativo que ela começa-se o quanto antes a ser estimulada optou por dar logo a informação que deu – para eu poder accionar todas as ajudas possíveis – no país que temos tem que ser assim!
    Se ela se enganou... (hoje, praticamente a mês e meio da minha filha fazer 36 meses)... digo-lhe que não me parece... mas tenho a certeza e ela também, porque me disse no mesmo dia que fez a informação, que a minha filha vai evoluir muito e é um bom caso.

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  3. Acho que se ela vi-se que eu não estava psicologicamente (+/-)preparada nem informada para assimilar uma "relatório" desses talvez não o tivesse feito logo... posso estar enganada mas é a minha ideia.
    Sabe, num dos últimos encontros perguntei se ela tinha casos que tenham conseguido sair do espectro e ela de certo modo fugiu à pergunta... é essa a minha grande esperança... espero que a minha princesa consiga!

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    1. Olá! Obrigada pela sua resposta. Mas então a ser PEA será um caso ligeiro, mesmo ligeiro... e há sempre muito a trabalhar! Eu tenho grande interesse por essa área, aliás fiz a minha monografia sobre o autismo. Tenho seguido com frequência o portal de mães com filhos com síndrome de asperger e há realmente muito a trabalhar e uma série de atividades que fomentam o desenvolvimento da criança. Mas pelo que tenho visto aqui no seu blog é uma mãe muito bem informada! Receba os meus sinceros parabéns e a minha admiração, enquanto mãe.

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  4. E já agora desculpe, pois comentei como anónima mas por distração... chamo-me Célia.

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  5. Obrigada Célia :)
    Espero que continue a visitar o meu cantito e a comentar as nossas pequenas vitórias e dificuldades do dia-a-dia.
    Sugestões de actividades também são bem vindas!

    Uma beijinho grande
    Helena

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  6. Olá! Agradeço o seu comentário tão simpático! É claro que continuarei a visitar o seu cantinho, até porque é muito interessante!!! Vou ver as atividades propostas no portal do síndrome de asperger e qualquer novidade, informo, ok? Beijinhos e continuação do seu excelente trabalho:):):)

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  7. Olá mãe, e obrigado por compartilhares um pouco, comportamentos da tua filhota. Porque eu estou a passar pelo o mesmo com o meu filhote, ele tem os mesmos comportamentos, e agora vai fazer segunda-feira o exame- eeg do sono. Estou com o coração apertado.
    Ele tem 34meses e entrou na creche com 29 meses, como estava atrasado na fala e pouco convivia com crianças achei que a creche lhe iria fazer bem, mas isola-se, nao mostra interesse em nada, parece estar noutro mundo e ás vezes parece perdido. Foi-me alertado pela educadora que tem comportamentos estranhos(correr em circulo,revirar a vista), confesso que não me admirei porque já em casa ele tem os mesmos comportamentos, mas eu como mãe pensei ou ainda tenho esperânça que seja apenas a sua maneira de ser especial.Porque é carinhoso, olha-me nos olhos,e gosta muito de sair de casa. Mas mesmo assim resolvi falar com o medico de familia e procurar um psicologo, hoje foi á segunda sessão com o psicologo e mostrou-se muito sociável.
    Estou a fazer o que posso pelo meu filhote, mas confesso que estou confusa e quanto mais pesquiso sobre estes assuntos de autismo, mais me baralho. Adoro o teu trabalho, e identifico-me muito a mim e ao meu filho. Parabens

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  8. Obrigada!
    No que puder ajudar estou disponível ;)

    bjs

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