Objectivo do Blog

Sou mãe de uma menina que nasceu em Dezembro de 2009, o meu maior tesouro!
A minha filha apresenta comportamentos um pouco diferentes do comum para a idade, compatíveis com a Perturbação do Espectro Autista.

Este blog tem como objectivo a troca de informações com pais que estejam em situação semelhante.
Juntos encontraremos mais respostas pras nossas dúvidas e poderemos obter uma ideia melhor da evolução esperada para cada caso. Participem!

17 de setembro de 2012

O que aí virá...

Depois de lhe medir a febre:
- "mãe queo emédio, ninha oente"
(mãe quero remédio, menina doente)



A piolha está com febre ligeira à 2 dias (37.8 - 38.3)...

e a avó, que mora ao lado, está com a varicela!!!

O ano passado houve casos na creche, mas ela escapou...

acho que vai ser desta que a vou ver às pintas...


13 de setembro de 2012

Birras e auto-agressão...

São dois temas que me fazem sentir um aperto sufocante no peito...
Tenho acompanhado atentamente alguns blogs e fico desolada por ver o que alguns pais enfrentam, o sentimento de impotencia que sentem... a incompreensão de que são alvos...

Tenho muito receio que isso possa vir a acontecer com a minha filha.
Ela é só uma menina socialmente mais desligada e com um modo de brincar e ser muito próprio...
As birras que fáz, pelo que vejo, parecem-me dentro da normalidade e nem costumam ser por causa de mudanças na rotina dela, isso nunca a incomodou muito porque ela adora explorar coisas e lugares novos.

Não queria que se sentissem magoados comigo, mas gostava de perguntar aos pais que passam por estas situações tão difíceis, a partir de que altura se perceberam que as birras não eram normais.
E as auto-agressões? 


12 de setembro de 2012

Terapia da fala/ocupacional


O início oficial foi ontem, digo oficial porque enquanto aguardávamos a resposta da Segurança Social, a minha filha teve várias sessões (gratuitas) para se familiarizar com o espaço e com as terapeutas.

A terapia da fala correu muitíssimo bem, confesso que fiquei surpresa.
A piolha disse o nome de quase tudo que a terapeuta lhe pôs à frente e era sempre “olha mãe, olha mãe” entusiasmada.
Fui aconselhada a eliminar a chupeta DE VEZ, é que a criatura já tem os "dentes" tortos, e isso está a afectá-la seriamente. Também  não consegue dizer imensas consoantes e tem um tom de voz “esquisito”.
Mas tirando essas dificuldades a terapeuta diz que ela é um “bom caso” porque apesar de se cansar muito rápido da brincadeira, retoma-a e está sempre a querer ver mais e mais coisas, o que é óptimo.

Por exemplo, se a terapeuta lhe mostra um livro com figuras ela folheia-o, passa os olhos pelas imagens num ápice, às vezes, em vez de apontar ela, pega na minha mão e aponta para o que a desperta mais e diz o nome ou então diz “olha mãe” e já quer ver outra folha e mais outra...quando chega ao fim, começa a folhear do início ou já quer outra coisa, mas passado um bocado lá retoma o anterior... e está sempre a querer explorar.

A terapeuta disse-me que uma criança autista não reage como ela reage e que na opinião dela ela tem é síndrome de Asperger...

É a segunda terapeuta que me diz o mesmo!


11 de setembro de 2012

Coisas menos boas

(a alguns dias de completar 33 meses)

Chega ao infantário, entra na sala e dirige-se à zona dos brinquedos, não olha para quem está presente, raramente responde, por iniciativa própria, aos "olás" e aos "bons dias" de auxiliares e educadoras.
Uma das educadoras (que nem é a dela) tem ido ao pé dela pedir um beijinho e dizer-lhe que me diga "até logo" ou "xau"... mas sem grande sucesso e, se a televisão estiver ligada, então é tudo pra esquecer, fica vidrada e nem vê que pode calcar algum menino...

Continua arredia e vai vagueando pela sala sem mostrar grande interesse pelas actividades ou pelos amiguinhos.

Em casa quer ver televisão a toda a hora, é filme atrás de filme, fora isso tem um leque pequeno de interesses, ou pede que corramos atrás dela até à exaustão (nossa, porque ela tem pilhas duracel) ou que a balancemos pelos braços, que a ajudemos a dar saltos grandes em cima da cama, coisas físicas basicamente.
Não se interessa por fazer desenhos, as canetas são pra enfiar num qualquer buraco que encontre...
Livros até folheia e vai dizendo (ou apontando pra nós dizermos) o nome das coisas, mas passado um bocado já está a rasgar as folhas ou a saltar em cima deles...

Ontem esteve uma tia em casa, chegou na hora dos desenhos animados, todas as tentativas de aproximação foram desprezadas, ou guinchava como um porquinho pra ela não a chatear ou dáva-lhe turras para ela a largar e deixar ver os desenhos descansada.

Continua a ter pouca vontade de sair de casa e, quando sai, vejo que faz as coisas pela ordem que fez a primeira vez, ou seja, se vai a casa dos meus pais primeiro vai ver as galinhas, depois vai procurar frutas pra atirar ao tanque, depois vai dar comida aos coelhos, depois vai à cozinha buscar bolachas e depois ao quarto do meu irmão ver as estátuas dos cavalos.

Fora de casa (shoping, supermercado etc) já conseguimos ir de mão dada,  mas se a largarmos corre sem parar, sem preocupação de se perder, se precisar de alguma coisa não hesita em pedir ajuda à primeira pessoa que lhe aparecer (vá lá que já pensa duas vezes quando vai entrar em algum lado e eu lhe digo que lá dentro tem um mau).

Se alguém a aborda ela não liga peva... nem responde a nada, só mesmo se a pessoa tiver algo que lhe interesse e mesmo assim é muito difícil, por norma só tenta agarrar o que quer sem se esforçar por interagir com a pessoa.








10 de setembro de 2012

"Luta mãe - iááááá"


Ainda não vos contei, mas a última vez que fomos ao H. S. João (dia 3 de Setembro), a doutora Alda ficou muito contente e até surpreendida com a evolução da minha grandona (a doutora comenta sempre que ela engana porque é muito grande).

Quando entramos no consultório ela deu de caras com os bonequinhos do filme Madagáscar e foi o delírio total:
- Olha, mãe, olha Marti!
- mãe, mãe a góia (a Glória)

A doutora tinha uma estagiária (penso eu de que) ao pé dela, a quem ela foi mostrar os bonequinhos e tudo.
Perguntei-lhe como se chamava o leão e ela prontamente:
-aiex (Alex)

A doutora fez outras perguntas, mas com outros bonecos que lá tinha, que como não eram de desenhos animados ela não ligou, mas esteve muito bem e até atirou beijos e disse xau à saída.

Então deu-me algumas ideias, dado o interesse exacerbado dela por desenhos animados, para tirar partido deles e a puxar para outras actividades.

Ora de momento ela está na fase "Panda do Kung Fú" e lembrei-me que podíamos tentar um jogo de imitação (foleiro eu sei, mas o objectivo final é que conta)

- Queres lutar como o Panda?
ela - xiiiiiiiiiiiiiiiiim!
- eu sou o mau e tú dás tatau no mau!
(ficou sem saber o que fazer)

Nisto eu digo "iá" e dou-lhe um soquinho na barriga, ela ficou tão contente, e começa iá iá iáááá
a bater-me, de repente calca-me um pé (como fáz o panda ao mau) e começa a rir tão contente!!!

Entendeu o jogo! Mas agora anda sempre atrás de mim "iá, mãe, luta, iá!"

Fomos a casa dos meus pais:
Olha, queres lutar com o avó, como o panda?
ela - iááá bô iááá pumba pumba



O que ela sabe...

... e eu não fazia ideia que ela sabia!

Chegamos a casa, a piolha sai do carro e aproxima-se do estendal da roupa, começa a mexer nas molas e de repente ouço:
_ um
_ dós
- tés
- cuato
- cíco
- seis
- sete

e esta hein!!!

Maravilhosa inocência!

Sai o pai da casa de banho em cuecas...
A piolha aproxima-se... aponta para o "chumaço" e num tom acusador exclama:
- mãe, mãe, CÓCÓ, CÓCÓ!!!



Regresso à escolinha

Correu muito bem!
Em casa dizia "nó quero" quando lhe explicava que as férias iam acabar e que teria que voltar prá escolinha.
Mas no dia correu muito bem, entrou de livre vontade no edifício e já ia a correr prá antiga sala.

- agora não é aí amor, tú já és uma menina grande! Agora vais prá salinha dos meninos grandes... 

Adorou as casas de banho, o aquário que tem na sala, a cozinha em ponto pequeno (com pia da louça a sério e torneira com água) e os brinquedos novos...
Tem ficado sem sequer olhar para trás, noto que continua a ignorar os coleguinhas, velhos e novos... mas tem ficado bem, a explorar os novos brinquedos.

A educadora e auxiliar ficaram admiradíssimas com a evolução dela em apenas 3 semanas!

As férias fizeram-lhe muito bem!



5 de setembro de 2012

Últimas...

ela - mãe "cheia" (mãe cheira) 
ela - "cheia" mau!

eu -  pois cheira mal! tú fizeste cocó!!!

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Com a foto dum carro dos bombeiros na mão:
ela - mãe paga fumo... (mãe apaga o fumo)
aponta para o carro e diz:
- atú paga fumo! (a água apaga o fumo)

(na semana passada tínhamos estado a ver uns desenhos animados em que começava um incêndio e vinha o carro dos bombeiros para o apagar, eu expliquei-lhe que o carro dos bombeiros tinha água dentro e que deitava água no fogo e no fumo para os apagar... fiquei muito contente por ela se ter lembrado e associado tão bem as coisas).


Se ela estivesse atenta a tudo como está aos desenhos animados!!!


3 de setembro de 2012

Balanço das férias

As férias foram "soft", deram essencialmente pra descansar a cabeça de assuntos de trabalho.
Só apanhamos dois dias bons de praia e não conseguimos concretizar alguns dos planos que tínhamos por causa do tempo foleiro que apanhamos. A piolha esteve sempre bem, adorou a praia da Agudela e eu também fiquei fã, quando a maré está baixa a praia fica cheia de pocinhas maravilhosas e sem perigo pra eles brincarem.
Ficamos alguns dias em casa, com os novos inquilinos, a gatinha Kika e o "bebé knino" da nossa gata Mia, fomos muitas vezes pra casa da minha sogra que é um anjo, esteve na piscina, passeamos bastante, fomos brincar no parque algumas vezes e fomos aos Sealife.
A piolha está a comunicar cada vez mais, a avó até se emocionou ao ouvi-la dizer:
"nó quero este, nó quero este"

Já vai dizendo algumas frases:

- não embola (não vás embora)
- mãe panha ninhã (apanha-me)
- mãe segura
- mãe ninhã xubi (mãe eu subí)
- olha mãe ninhã caiu (mãe eu caí)
- olha mãe bebé knino (mãe olha o bebé pequenino)
- mãe paga úz (mãe apaga a lúz)
- mãe tira zola (mãe tira-me a camisola)
- eu xola (eu choro)
- mãe tá ki pai (mãe o pai está aqui)
- não, meu (não, é meu)
- eu xono (eu tenho sono)
- pumba, pumba, eu bate (pumba pumba eu bato)
- mãe cocós nanne (mãe fiz um cocó grande)


Fui-lhe explicando que não podíamos ficar sempre de férias, que o dinheiro acabava e tínhamos que ir trabalhar pra ganhar mais, acho que ela entente isso perfeitamente, até porque fica muito atenta quando vamos comprar qualquer coisa (eu lembro sempre que temos que pagar para podermos trazer).

Quando hoje lhe disse que tinha que ir trabalhar ela agarrou-me e disse "não, xica ninhã", eu disse que tinha que ser porque já não tinha mais dinheiro pra comprar papinha... pedi-lhe um beijo e lá me deu um beijo conformada com a ideia...

... é a vida dos pobres!!!